No passado domingo, Santana abriu oficialmente a época carnavalesca na Madeira. Neste concelho nortenho, prevalece uma das tradições mais peculiares da cultura popular madeirense: a Festa dos Compadres. Este evento dá início ao ciclo de comemorações do Carnaval, sendo que as festividades têm início com a tradição da quinta-feira das comadres e da quinta-feira dos compadres.
A imagem de marca da festa de compadres é sem sombra de dúvida a ironia, o sarcasmo, a sátira e muita crítica social; o povo apura as críticas e dispara para todo o lado! É um verdadeiro exercício de liberdade de expressão, ao qual ninguém escapa. Sociedade local, assuntos políticos, instituições, vizinhos, e os assuntos do dia-a-dia são a matéria prima desta sátira carnavalesca; tudo é preparado ao pormenor em segredo para se verificar o efeito surpresa.
Em tempos mais antigos, havia mesmo uma competição entre os géneros, pois a rivalidade entre homens e mulheres levava uns e outros a caprichar na amostragem do melhor conjunto, comadres ou compadres, para se apurar quem tem mais piada, quem retratava mais fielmente as figuras sociais que eram vítimas da crítica do povo.
Esta ironia e sarcasmo continua bem patente nos versos e bonecos que se encontram em diferentes locais da cidade, mas o momento alto da festa é o desfile alegórico e etnográfico, o julgamento e a sentença dos compadres na tarde de domingo.
Contudo, apesar do tempo ser de festa e de muita diversão, não nos podemos distrair!
Infelizmente, pela irresponsabilidade e cobiça palaciana de muitas forças partidárias na Madeira, vamos novamente a eleições. E digo novamente com alguma frustração tal como muitos cidadãos, porque estas manobras políticas a que estamos a assistir por parte de partidos demagógicos e populistas levaram-nos o cenário que hoje vivemos.
Assisto com preocupação a julgamentos de caráter, sentenças em praça púbica e a assassinatos políticos, com base em denúncias anónimas que despoletam investigações e que devassam a privacidade das pessoas, transformando acontecimentos tristes em factos políticos.
Assisto também, muitas vezes incrédula, a determinados atores políticos a dizerem que são necessárias “pessoas sérias e de bem” para gerir a coisa pública, rotulando todos de forma negativa e pejorativa do alto da sua altivez, como se tivessem vindo de uma galáxia distante ou de um planeta de moralidade superior, num autêntico estilo pregador tal como Frei Tomás “faz o que ele diz, mas não faças o que ele faz”.
Caros leitores, estas manobras de distração que se instalaram na Madeira e em Portugal não são formas decentes de fazer política! Fazer política é superior a isto! Estar na política é mais do que mostrar a cara, é efetivamente trabalhar pelo bem comum, e é servir a população.
Partidos e pessoas desesperadas de subir ao poder, políticos com cara e cantiga de carochinha não estão a lutar pelo bem-estar e pelo progresso da Madeira no presente nem muito menos a pensar no legado que querem deixar para o futuro das novas gerações; para estes partidos, o que interessa é derrubar apenas e só o Partido Social Democrata, só porque sim, porque estão cansados de estar na oposição.
Esquecem estes senhores que a história do PSD e a história da autonomia e do desenvolvimento da Madeira caminham lado a lado. E por isso, não nos podemos distrair e esquecer de onde viemos. O nosso passado de pobreza e de atraso não pode ser esquecido, da mesma forma que o progresso e o desenvolvimento alcançado nos últimos 50 anos não podem ser ignorados.
Falar do futuro da Madeira é olhar para além do ego e da sede de protagonismo; é pensar num projeto que continue a promover a coesão e a justiça social, apoiando quem precisa nos momentos de necessidade, mas dando ferramentas para aprender a lidar com a vida e com o trabalho; é promover o investimento privado, criando emprego e por via do trabalho a distribuição de rendimentos e de riqueza.
É continuar a investir na criação de condições dignas para as famílias com crianças investindo na sua educação, mas também, às famílias com idosos a seu cargo.
É prosseguir nas políticas de promoção do acesso à saúde, contratando mais profissionais e dando-lhes mais recursos e melhores condições para fazerem o seu trabalho.
É continuar a política de desagravamento fiscal, é prosseguir com o investimento e obras públicas que garantam a segurança e a proteção do nosso território, mas que também facilitem a mobilidade das pessoas. É proteger a agricultura, defender o ambiente e preparar todo o território para o impacto das alterações climáticas.
É preciso coragem e determinação para agir no presente e acautelar o futuro das novas gerações, e sim, não nos podemos nem devemos distrair, quando o que está em causa é a Madeira.