O candidato do Juntos Pelo Povo (JPP) à Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Miguel Ganança, anunciou que vai defender uma solução “equilibrada, transparente e com benefícios reais” para a população do Curral das Freiras e do Jardim da Serra, relativamente ao projeto do teleférico.
“Não somos contra investimentos. Somos contra maus negócios para as pessoas. Este teleférico só faz sentido se respeitar a nossa terra e se deixar valor no Curral e no Jardim da Serra. É precisamente por ter forte impacto local que a comunidade tem de ser a primeira beneficiária”, afirmou Miguel Ganança.
Ancorado na ideia de que “nem tudo depende da Câmara, mas há sempre caminho quando há vontade”, o candidato apresenta uma proposta assente em três compromissos. “O primeiro passa por pressionar o Governo Regional a renegociar o contrato, para que a renda seja digna e para que parte dos recursos gerados fique no território, criando valor direto para as freguesias afetadas. O segundo compromisso é a criação de um Fundo Local do Curral e do Jardim da Serra, financiado por uma parcela da renda e por pelo menos 5% das receitas brutas da exploração, destinado a apoiar habitação acessível, prevenção de incêndios e valorização do espaço público. O terceiro compromisso centra-se num ambientalismo responsável, com cumprimento rigoroso da Avaliação de Impacte Ambiental, monitorização independente e participação pública efetiva”, descreve o JPP.
Esta posição, conforme destaca o partido em nota de imprensa, dá continuidade às iniciativas recentemente lideradas pelo partido e pelo secretário-geral Élvio Sousa, que em agosto apresentou queixa no Tribunal de Contas. O JPP lembra que denunciou uma “negociata”, sustentada num estudo de viabilidade económica encomendado pelo próprio Governo Regional, que apontava valores muito superiores para a renda de concessão, mas que “foi ignorado quando o contrato foi assinado.”
“Essa denúncia ganha ainda mais pertinência quando se olha para os números já revelados: segundo o estudo, a renda deveria rondar os 37 mil euros mensais, mas o contrato fixou apenas 2 mil euros mensais (24 mil/ano), durante 60 anos, o que se traduz em prejuízos graves, que ascendem a cerca de 24 milhões de euros, para a Região”, refere ainda o partido. “É inaceitável a discrepância entre o estudo oficial e a renda fixada. Isto não é apenas um erro de cálculo, é um problema de transparência e de defesa do interesse público”, sublinhou Miguel Ganança.
Para o candidato, a visão de desenvolvimento sustentável passa por diferenciar turismo de qualidade de “projetos que prometem muito e deixam pouco”. “Sustentabilidade é pôr as pessoas primeiro: emprego local, comércio e serviços dinâmicos, mobilidade útil aos residentes e respeito pela identidade do Curral. Um teleférico que não cumpra estes princípios é apenas um bom negócio para poucos.”
Miguel Ganança conclui: “Pensar a médio e longo prazo é garantir transparência, responsabilidade e contrapartidas para quem cá vive. Enquanto a renda for desajustada e as contrapartidas locais não estiverem asseguradas, não haverá cheque em branco. O JPP está do lado das pessoas e da verdade dos números.”