Luís de Camões, viveu pobre e assim morreu, e apenas após a sua morte, é que foi reconhecido como o nome maior da literatura Portuguesa.
A abundância do dinheiro ou a falta dele, nas nossas vidas, pode ter maior ou menor importância, pode trazer maior ou menor felicidade, depende muito da forma como o gastamos e da noção do essencial.
A Bíblia considera o amor ao dinheiro como a raiz de todos os males, e não o dinheiro em si, como o princípio de todos os males.
A forma como o dinheiro é usado é crucial, a título particular, gastar com experiências, tempo de qualidade com entes queridos e ajudar os outros, pode gerar mais felicidade do que apenas comprar bens materiais.
Para Onassis, o dinheiro era símbolo de poder, saúde e sucesso, sendo uma ferramenta para atingir objetivos e manter a credibilidade.
Defendia que a vida deveria ser vivida um pouco além das posses, para manter a aparência de sucesso.
Fazendo-me lembrar, por vezes a exaltação de certos presidentes de Câmara, quando anunciam os seus orçamentos.
E não é para menos, isto porque as receitas totais das 11 câmaras municipais da RAM, são de quase 360 milhões de euros.
Todas as Câmaras Municipais, batem recordes nos seus orçamentos.
No entanto, o que muitas vezes é omitido, é que esta “aparência de sucesso”, deve-se fundamentalmente ao esforço que é feito por todos os munícipes.
Para 2025, o Funchal dispõe de – 150 milhões; Santa Cruz – 57 milhões; Câmara de Lobos – 27,59 milhões; Calheta – 24,1 milhões; Machico – 21,5 milhões; Ribeira Brava – 20 milhões; São Vicente – 16 milhões; Ponta do Sol – 13,2 milhões; Porto Santo – 10,5 milhões; Porto Moniz – 9,9 milhões; Santana – 9,7 milhões.
A título de curiosidade, em 2020, o orçamento do Funchal pouco ultrapassava os 100 milhões, tendo vindo sempre a aumentar 10% todos os anos.
Esse fenómeno de aumento, tem sido transversal a todos os Municípios, independentemente da cor política que os governem.
O que infelizmente não acontece com a maioria dos orçamentos particulares da população, que não cresce 10% ao ano.
Outras curiosidades, é que se dividirmos o orçamento por habitante, a chamada receita média por habitante, o Município com menos população que é o Porto Moniz, tem a – receita mais alta da ilha da Madeira – com cerca de 3.300 euros por cada habitante.
Sendo que do lado oposto, temos Câmara de Lobos – com a mais baixa – com cerca de 690 euros por habitante.
Normalmente, os orçamentos são temas chatos e aborrecidos, com as suas tecnicidades e chavões, que não atraem a atenção dos cidadãos.
No entanto, e em ano de eleições autárquicas, na hora de votar, todos devemos estar atentos à forma como foi aplicado o dinheiro público e quais as propostas para o seu gasto futuro.
Para uma cidade desenvolvida e feliz, apenas é necessário ter como ambição, algo tão simples e que se chama – Qualidade de Vida.
E que pode ser desenvolvida, aplicando os orçamentos em coisas tais como: apoio social, combate à corrupção, baixa criminalidade, vida saudável, bons serviços de saúde, boa e gratuita educação, expectativa de vida e liberdade de escolha.
Por isso, o dinheiro dos contribuintes pode ser um ganho se for bem aplicado, como pode ser uma grande perda se gasto de forma irresponsável, narcisista ou leviana.
Contribuindo para um sentimento de revolta do cidadão comum, perante os governantes e decisores.
Isto porque, existe uma particularidade psicológica sobre o dinheiro, é que odiamos perder dinheiro mais do que gostamos de ganhá-lo.
A nossa relação com o dinheiro tem de ser responsável, temos de distinguir as necessidades dos desejos, em busca de um equilíbrio que torne o dinheiro um aliado e não a força motriz.
O dinheiro não é tudo na vida.
Se Luís de Camões fosse rico, provavelmente não teria escrito “Os Lusíadas”, e os Portugueses seriam certamente mais pobres.