OU VAI, OU…

Francisco Sá Carneiro considerava prioritária para o País, uma alteração pacífica do Sistema Político da Constituição de 1976, através de uma sua revisão de fundo.

Alguém duvida de que a Justiça funciona mal? Alguém de boa fé duvida de que a subsídio-dependência instalada, eternizará todas as formas de pobreza?

Alguém se atreverá a defender a situação a que chegou a Saúde? Alguém aceita o estado social a que Portugal chegou no tocante à Habitação? Alguém tem dúvidas de que, o Sistema vem prolongando, no interesse de ninguém de bom-senso, quer a conflitualidade imobilista entre um retrocapitalismo e um sindicalismo subordinado a partidos políticos, quer a falta de uma cultura de convergência, com resultados práticos para todos, entre Trabalhadores e Patronato?

Alguém pensa que a Segurança Interna e Externa reúne as condições necessárias para os Portugueses terem asseguradas a paz interna e a paz com o exterior? Alguém aceita que o Direito a Férias de todos os Trabalhadores possa ser violentado e chantageado por greves políticas apontadas a essas mesmas datas?

As pessoas não vêem o descalabro que vai nas políticas de Turismo, de Imigração e de Transportes?

Os Portugueses estão conformados com o panorama autárquico quotidianamente vivido e aceitam esta não devolução de Portugal aos Portugueses, numa teimosia reacionária contra a Regionalização?

Os Portugueses acham que a partidocracia portuguesa deve ter o monopólio da apresentação de candidatos ao Poder Legislativo? E acham que deve ser o “bezerro de ouro” a estar venerado no “altar-mór” da Democracia portuguesa?…

Os Portugueses aceitam o “cartão partidário” como uma garantia do Direito ao Trabalho?

Os Portugueses pactuam com uma inflação advinda quer das políticas bancárias, quer da falta de incentivos à Produtividade?

Os Portugueses aceitam as nossas atitudes de passividade e de conformismo no seio da União Europeia, em troca de uma dependência esmoler que vai camuflando incompetências domésticas, e que nem é aproveitada convenientemente?

Como chegámos aqui?!…

Falecido Sá Carneiro, Cavaco Silva, a receber dos socialistas um País falido, teve de agarrar imediatamente os apoios europeus e nestes se empenhar, para que hoje Portugal não estivesse pior.

Depois, até agora, salvo a pregação de Rui Rio no deserto, os dois principais Partidos, o PSD e o PS, fizeram da rejeição de um acordo para rever a Constituição, não uma estratégia, mas uma tática imobilista da qual não resultaria riscos de ambos deixarem de ser os maiores Partidos nacionais. Era-lhes mais cómodo “não mexer muito”, os “interesses” que os sustentavam e sustentam, mantinham-se satisfeitos, os cargos partidários podiam continuar a ser ocupados pela casta partidocrática, a mediocridade funcionava como válvula de segurança!

Só que o mundo mudou. E de que maneira!… – apenas quem é tolo poderá pensar que o que vai pelo planeta e cá dentro, em Portugal, continuará ao sabor do fingido e utilitário não-entendimento entre o PSD e o PS nacionais!

O situacionismo tem as horas contadas.

Resta saber de que maneira vem o que se sucederá…

Oxalá que por via pacífica e democrática!

Estamos a tempo de as coisas correrem bem.

O problema é que os dois principais Partidos, para além de Direcções nacionais muito fracas, de débil Cultura política e mais voltadas para o materialismo e o reacionário “politicamente correcto”, de ADN diferente do dos Fundadores, ainda não souberam ler as últimas eleições legislativas.

Pela primeira vez, desde 1976, a maioria dos três maiores Partidos é tal, que basta o mais votado e só um dos outros dois, para se concretizar uma revisão constitucional e Portugal poder modernizar-se sustentável e tranquilamente.

É ESTA A VONTADE DEMOCRÁTICA DOS PORTUGUESES!

O Dr. Luís Montenegro e o seu séquito querem ficar para a História como os responsáveis pela grande oportunidade perdida? Como tendo traído o passado doutrinal do Partido Social Democrata?

E o Dr. José Luís Carneiro quer ficar para a História como mais um mero gestor temporário do PS, sem agarrar esta oportunidade histórica para, despido de complexos políticos, afirmar-se como o Estadista da mudança patriótica?

Ou arrisca o novo Portugal nascer de um compromisso constitucional PSD/“Chega”, com a convicção de que Montenegro não abandonará um situacionismo medíocre?

Só que estes dois Senhores parecem não estar a considerar inteligentemente outras hipóteses.

Ou o que de movimentação política poderá resultar das próximas eleições presidenciais, pois os Portugueses estão fartos desta partidocracia, dos comunistas ao “chega”, fartos de todos!

Ou o que, perante o quadro oferecido pelas Direcções nacionais PSD e PS, mesmo com Aquele no Governo, poderá de movimentações internas neles acontecer…

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