Irão expressa solidariedade com Venezuela diante de pressões norte-americanas

Teerão solidarizou-se com Caracas no esforço de proteger a soberania venezuelana perante pressões dos Estados Unidos, posição transmitida ontem pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi.

Teerão solidarizou-se com Caracas no esforço de proteger a soberania venezuelana, na sequência de pressões dos EUA, que enviaram para águas caribenhas navios lança-mísseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação contra cartéis narcotraficantes.

A posição do Irão foi transmitida na quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, durante uma conversa telefónica com o homólogo venezuelano, Yván Gil, durante a qual trocaram informações sobre diversos temas bilaterais e de cooperação.

“O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano expressou firme apoio à Venezuela diante das agressões e narrativas falsas que proliferam nos meios de comunicação hegemónicos, que servem ao imperialismo para atacar o povo venezuelano”, escreveu Yván Gil na plataforma Telegram.

No Telegram, o ministro venezuelano declarou que o seu homólogo iraniano também manifestou, durante a conversa, total apoio do Governo e povo do Irão, tanto no âmbito das organizações internacionais como no Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas, do qual ambas as nações fazem parte.

“Reiteramos que a unidade dos nossos povos livres e soberanos sempre prevalecerá sobre as mentiras e ameaças do imperialismo”, sublinhou o ministro venezuelano.

Em 09 de agosto, a Venezuela e o Irão comemoraram 75 anos do estabelecimento de relações diplomáticas.

As tensões entre Washington e Caracas intensificaram-se nos últimos dias, depois de, em 19 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter afirmado que os Estados Unidos estão preparados para “usar todo o seu poder” para travar o “fluxo de drogas para o país”.

Em resposta, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os EUA de procurarem uma “mudança de regime” de forma “terrorista e militar”.

Em 18 de agosto, Nicolás Maduro ordenou a deslocação de 4,5 milhões de milicianos por todo o país, depois dos EUA terem duplicado para 50 milhões de dólares (43 milhões de euros) a recompensa por informações que possam conduzir à sua detenção.

De acordo com a CNN, os Estados Unidos começaram a enviar 4.000 fuzileiros para as águas da América Latina e Caraíbas para combater os cartéis de tráfico de drogas, além de reforçarem a presença militar na região com aviões-radar e três contratorpedeiros com capacidade antimíssil.

Na quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam as diferenças por meios pacíficos”.

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