Triagem de Manchester

A união do povo da Madeira foi o que permitiu ao PSD ganhar de forma estrondosa as eleições legislativas regionais do passado dia 23 de março. Os eleitores perceberam o que estava em jogo, recusaram experimentalismos e confirmaram de forma contundente a preferência e renovaram a confiança na governação social democrata.

A contrastar com a saturação do eleitorado estava o apelo directo ao PSD para que resolvesse de uma vez por todas o impasse criado. E a onda de apoio que se sentiu no porta-a-porta, por esse becos e veredas da nossa Madeira, materializou-se na hora do voto.

A verdadeira coragem está e reside em todas as mulheres e homens, militantes e simpatizantes do PSD que deram a cara pelo partido, nesta altura difícil, que ao contrário daquilo que profetizavam os arautos da desgraça, acreditaram, trabalharam e puseram as suas forças ao serviço do superior interesse da Madeira e de todos os madeirenses.

Foi uma vitória que não deixa margem a dúvidas, nem aos que passaram o último ano e meio a tentar destruir o partido, a liderança e todos os que com ela “estupidamente” continuavam. Não deixa de ser engraçado a forma como o poder inebria, atrai de forma irresistível e torna todos os anteriores defeitos em qualidades irrefutáveis. Que haja memória.

Verde: A primeira Mulher na Presidência da ALRAM

Depois de várias legislaturas em que o PSD viu-se obrigado a renunciar ao mais alto cargo representativo da nossa Região, a oportunidade de o recuperar volta a surgir. Temos a oportunidade de recuperarmos não só o lugar, que nunca deveria ter deixado de ser nosso, mas também a oportunidade de se fazer história, e pela primeira vez elegermos uma mulher para presidir à Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. É aqui que surge o nome de Rubina Leal, que tem no seu longo trajecto, combates políticos impossíveis, e vê assim reconhecida a sua lealdade e disponibilidade ao partido e à causa pública. Um acto de justiça.

Amarelo: A extinção do PAN

A segunda grande vitória destas últimas eleições foi a eliminação do PAN do parlamento regional. Enquanto se divertiam na arte do caciquismo, não viram o acumular de sinais e alertas, para o rumo que estavam a tomar. Não houve complacência para a quebra de confiança e julgamento apressado da então deputada única, e muito menos houve perdão pela interferência nacional na queda do governo regional, no início de 2024 e isso sentiu-se logo nas eleições seguintes, em que o PAN perdeu mais de 500 votos.

A tendência de descida era óbvia, voltando-se a confirmar nestas últimas eleições, com a perda de mais de 200 votos e a saída do parlamento. Certo é que quem despoletou todo este cenário, saiu de cena e quem estava entalado viu a sua posição reforçada e de forma muito confortável, o que me deixa na indecisão de me despedir com um adeus ou um obrigada.

Vermelho: O PS de Paulo Cafôfo

Enquanto muitos vaticinaram a morte do PSD, quem acabou com o óbito declarado foi o Partido Socialista. O último ano foi rico em falhas estrondosas e argoladas por parte de Paulo Cafôfo e companhia. Ora, Paulo Cafôfo mostrou a sua total inabilidade para capitalizar nas urnas, o momento mais periclitante do PSD em janeiro de 2024.

Perde as legislativas de maio de 2024 e tenta forjar uma união com o JPP, partido em clara ascensão e sem qualquer pretensão de carregar consigo, um peso morto. Vota a favor de um adiamento da moção de censura para depois do Orçamento Regional, para acabar a votar contra esse mesmo orçamento.

Vota favoravelmente essa moção de censura, carregadinha de insultos ao seu partido e que atira a Madeira para nova crise política. Recusa através dos seus deputados na Assembleia da República, em ser parte da solução para aprovação da nova lei eleitoral da Madeira, impedindo os madeirenses de exercer o seu voto em mobilidade e contribuindo grosseiramente para os números da abstenção.

Cai na esparrela da crítica fácil, do escárnio e maldizer enchendo as ruas com cartazes de carácter e moral duvidosa. Não soube mostrar-se alternativa válida e credível, nem quando todas as armas apontavam ao PSD e à sua liderança. Nem na hora de sair, se o soube fazer. Obrigada, caro Paulo Cafôfo! Que se conserve muitos e longos anos à frente do PS.

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