As mentiras que alegram

1 de abril já lá foi. E foram muitas e variadas as petas que andaram de boca em boca. Algumas com piada, outras nem por isso. Uns levaram a mal a brincadeira. Mas também houve fair-play, o tal que escasseia quando somos parte interessada do assunto.

Se os protagonistas forem os outros, a história já muda de figura, claro. “Tudo como dantes no quartel-general em Abrantes”. Portanto, nada de novo, como diz o ditado.

É, de facto, indisfarçável o nervosismo que paira no ar. Por tudo! Anda nervoso quem tem de fazer acontecer, quem não sabe como fazer e até quem não quer que se perceba que não tem nada que faça.

Percebe-se o incómodo. Principalmente daqueles que tiveram de tornar público os compromissos assumidos. Porque as mentiras, tarde ou cedo, não perduram.

Aos mais nervosos, importa assimilar que os tempos são de mudança. De perceber que o discurso do bota-abaixo ou do contra já não colhe tantos simpatizantes quanto isso. Não entra na casa das pessoas. E está mais distante do Parlamento.

Importa concluir que os cidadãos preferem a estabilidade do passado e presente à novidade do desconhecido. São opções, claro. Dos que, ao contrário de quem vive de ou na política, entendem que a democracia na Madeira está ferida quando um Governo minoritário não tem poder ou forma de governar.

Face à irresponsabilidade ou ausência de sentido democrático, perderam todos os que defendem a diversidade de ideias e pluralismo de opiniões, que foram impedidos de escolher quem queriam ver sentados no Parlamento. A resposta, face às incompatibilidades dos atores políticos madeirenses, que teimam em criar peças dramáticas no teatro político atual, foi a de voltar ao que já conheciam.

Perspetiva-se, porém, que o nervosismo se faça sentir durante praticamente todo o ano. Seguem-se eleições legislativas nacionais e autárquicas. Oportunidade para abrir novos ciclos enquanto outros se apagam. Muitos por limite de mandatos. Mas há ainda quem se afaste pelo que não conseguiu demonstrar.

No Dia das Mentiras, o JM também decidiu pregar uma partida. A do metro de superfície que iria ligar o Caniço a Câmara de Lobos. Uma apenas para alegrar o leitor. Porque as verdades, essas, têm tido o condão de gerar apreensão.

Só esta semana escrevemos que mais de 1.100 famílias pediram ajuda para comer em 2024. Que estão pendentes nos tribunais 49 ordens de despejo, a maioria por incumprimento no pagamento de rendas. Que há mais uma vítima de abusos sexuais no seio da Igreja. Ou que a taxa de pobreza, apesar de ter baixado, continua a ser das mais altas do País.

Pouco depois de termos celebrado o primeiro feriado da Autonomia, com um espetáculo musical digno de ser recordado, protagonizado por gente da terra com talento universal, interessa não perder de vista o que falta fazer para honrar Abril. Não deixando de enaltecer, também, o que foi feito para chegarmos até aqui.

Nem tudo está bem, nem tudo está mal. Mas é evidente que há margem para fazer melhor e aproveitar o crescimento económico que não traduz melhores condições de vida para todos os trabalhadores.

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