A Venezuela repatriou mais 313 venezuelanos em um voo da estatal Conviasa proveniente do México, elevando para 1.610 os migrantes deportados dos EUA e repatriados pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro.
A repatriação teve lugar ao abrigo do programa Plan Vuelta a la Patria e entre os novos repatriados estão, segundo o ministro de Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, 151 crianças e 16 mulheres grávidas.
A chegada do voo foi transmitida pela televisão estatal venezuelana.
“Hoje vai chegar outro voo das Honduras (…) com migrantes dos Estados Unidos. E amanhã (04 de abril) chegará um voo diretamente da América do Norte”, explicou.
Segundo Diosdado Cabello, os repatriados vão ser submetidos aos protocolos estabelecidos noutros repatriamentos, que incluem cuidados médicos, identificação, especialmente para as crianças, assim como a verificação dos registos criminais.
O ministro venezuelano voltou a exigir ao Governo de Nayib Bukele a que devolva 255 venezuelanos que deportados pelos EUA há umas semanas e enviados ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador.
“Estão sequestrados arbitrariamente. Devolvam-nos esses venezuelanos. Não cometeram um único crime em El Salvador e se cometeram crimes nos Estados Unidos, cabe ao sistema judicial americano julgá-los”, disse.
O ministro denunciou que apesar das acusações dos EUA, nenhum dos venezuelanos repatriados pertencem a grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.
Em 16 de março, o Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou a chegada de 238 alegados membros do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua e do Mara Salvatrucha (MS-13), transferidos para o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) ao abrigo de um acordo com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Em 15 de março, os Estados Unidos expulsaram 261 imigrantes em dois voos para El Salvador e Honduras, que partiram do Texas.
Em fevereiro, Trump classificou o Tren de Aragua, uma organização criminosa da Venezuela, e o MS-13, um gangue com origem em Los Angeles em 1980, como “organizações terroristas globais”.
Logo que assumiu o cargo, em janeiro, Donald Trump, retirou o estatuto de proteção temporária contra a deportação de que beneficiavam aproximadamente 600.000 venezuelanos devido à crise económica e de segurança no seu país.
Mais de 7,8 milhões de venezuelanos emigraram na última década, em grande número para os Estados Unidos, segundo as Nações Unidas.