Na Madeira, cerca de 4 mil alunos recebem apoio dos serviços de educação especial, dos quais 350 têm autismo, representando 8% do total de estudantes assistidos pelos centros educativos especializados da Região.
E é com o intuito de melhorar a resposta educativa neste âmbito e capacitar os profissionais que lidam diariamente com estes alunos, que se realiza hoje, no auditório do Centro de Estudos e História do Atlântico Alberto Vieira, a conferência Comemoração do Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo.
“Algumas das escolas têm as unidades estruturadas que dão apoio mais específico a esta tipologia de aluno e aquilo que nós procuramos numa escola inclusiva como a que nós pretendemos construir é a de que todos os alunos tenham as condições para evoluir dentro do sistema, independentemente da sua condição”, disse, esta manhã, Jorge Carvalho, secretário regional de Educação.
O governante destacou ainda que a maioria dos alunos com autismo está integrada nas turmas regulares, recebendo acompanhamento especializado por parte de técnicos que os auxiliam nas atividades escolares.
O evento conta com a presença de vários especialistas da área, incluindo o psiquiatra continental André Sousa, que abordará o tema ‘Autismo e Esquizofrenia – Mecanismos Preditivos como Ponte para Similaridades Clínicas’. “Vou falar sobre alguns dos aspetos em comum entre estas duas entidades e sobre os mecanismos que podem estar subjacentes a essas manifestações”, elucidou, sublinhando que a sua intervenção se centra nos desafios do diagnóstico e tratamento de ambas as perturbações.
Segundo o especialista, o autismo é uma perturbação do desenvolvimento cujas dificuldades na interação e comunicação social começam a manifestar-se desde a infância. Já a esquizofrenia, na maioria dos casos, apresenta os primeiros sinais no final da adolescência ou no início da vida adulta, geralmente com um episódio psicótico.
Papel da escola na deteção
O psiquiatra sublinha que a sensibilização dos professores para a identificação precoce de sinais nestes alunos é crucial e que a escola tem “um papel importantíssimo” na deteção destes casos.
“A mensagem para os professores é conseguirem perceber alguns sinais nos alunos que possam fazer desconfiar de que alguma coisa possa não estar bem com o aluno e alertar quer os serviços de psicologia da escola, ou os serviços clínicos para o aluno se devidamente avaliado”, apontou.
O psiquiatra destacou ainda a crescente deteção de casos no ambiente escolar, que diz ser um reflexo da maior compreensão do espetro do autismo por parte dos docentes. “Os professores vão tendo cada vez maior compreensão do espetro do autismo e, por isso, cada vez mais será detetado na escola”, rematou.