O medicamento é a tecnologia em Saúde mais custo-efectiva, permite ganhos ímpares em Saúde, sendo factor e causa principal pelo decréscimo da mortalidade, e como tal do aumento da esperança média de vida. Não há outra tecnologia em Saúde, que aporte mais anos à Vida e mais Vida aos anos, refletindo aqui a resposta ao desafio dos sistemas de Saúde que é o aumento da qualidade de vida nos últimos anos da mesma.
Não obstante tal facto, existem lacunas no arsenal terapêutico, que a Ciência Farmacêutica vem paulatinamente colmatando.
Um dos alvos que nunca fora alcançado de forma eficaz, até há bem pouco tempo, foi a Obesidade, e o quão premente era encontrar uma solução para esta real pandemia. Ora vejamos, em Portugal 28,7% da população Adulta sofre de obesidade, são cerca de 2,5 Milhões de Portugueses, e nas Crianças entre os 6 e os 8 anos, 31,9% das crianças apresentam um peso acima do normal, sendo que, 13,5% das crianças são obesas, resultados apresentados pela DGS no dia 4 de Março 2025 (a cobro do dia Mundial da Obesidade).
Qual o impacto da Obesidade na nossa saúde, e que a torna um alvo preferencial para as políticas em Saúde vindouras:
doenças respiratórias – apneia obstrutiva do sono; diabetes tipo 2 – 90% dos diabéticos tipo 2 apresentam excesso de peso ou obesidade, e a prevalência da diabetes tipo 2 é quatro vezes superior para os obesos; doenças cardiovasculares – Acidente Vascular Cerebral (AVC); insuficiência cardíaca; aumento do colesterol e triglicéridos (dislipidemia); hipertensão arterial – 2,5 x superior para o peso normal, fibrilhação auricular; doença renal crónica, pedra nos rins, incontinência urinária; infertilidade; doenças oncológicas – desenvolvimento de cancro, por exemplo, da mama, colorretal ou do pâncreas, entre outros.
A Doença crónica que é a Obesidade, pode ser caracterizada pelo excesso de gordura acumulada no organismo, enquanto resultado de um desequilíbrio entre o consumo de calorias versus o seu gasto através das actividades normais quotidianas, ou do exercício físico. Daqui se depreende que, apesar de ser uma doença multifactorial, as principais causas são um mau regime alimentar em termos qualitativos e quantitativos, e um sedentarismo excessivo.
Os medicamentos para a obesidade devem então obedecer à premissa, de os mesmos serem obrigatoriamente secundários à alteração comportamental ao nível alimentar e de exercício físico, isto é, os medicamentos deverão ser observados não como uma substituição à alteração comportamental, mas como complemento da mesma.
Os novos medicamentos para a obesidade agonistas GLP-1 e GIP, sendo os principais neste momento o Semaglutido, e a Tirzepatida, são de uma eficácia muito elevada. São de tal ordem eficazes e representantes por direito da robustez, da inovação e dinâmica de crescimento e respostas eficazes em saúde da Ciência Farmacêutica, que neste momento estão em pipeline cerca de 39 novas moléculas, prevendo-se que até 2030 sejam lançadas cerca de 7 novas moléculas e que o mercado sofra uma inversão de tendência de consumo pela entrada dos agonistas orais.
Como tal tem de ser observados pela governação como instrumentos eficazes para combater esta pandemia, pelo que a comparticipação dos mesmos para a indicação de obesidade, tem de forçosamente, ser uma realidade, no entanto deverá atender não só aos resultados, mas aos factores causais, neste caso comportamentais (alimentares e de exercício físico) como forma de compromisso para com a sua efectividade.
O Santo Graal da Obesidade está de facto ao alcance, não reside apenas no medicamento, parte da vontade e capacidade de compromisso.