O Governo eslovaco aprovou hoje o abate de 350 ursos, por considerá-los perigosos para os seres humanos, uma decisão que contraria uma diretiva europeia e considerada ilegal por ambientalistas.
A decisão do executivo eslovaco surge na sequência de vários ataques de ursos a pessoas, incluindo a descoberta dos restos mortais de um homem no centro da Eslováquia, provavelmente morto por um urso no domingo.
“Não podemos viver num país onde as pessoas têm medo de ir para a floresta”, declarou o primeiro-ministro, Robert Fico, à imprensa.
O país tem, contudo, de cumprir uma diretiva da União Europeia (EU) que só autoriza o abate de ursos que causem danos materiais ou ataquem pessoas, e apenas se não houver outra solução.
No entanto, a Diretiva Habitats da UE, que “proíbe a caça ou o abate de espécies estritamente protegidas”, estipula que existem exceções quando, ”em último recurso”, os animais podem ser abatidos “para proteger a segurança pública, colheitas ou fauna e flora natural”.
Este argumento foi utilizado pelo Governo sueco quando emitiu licenças para que caçadores pudessem abater 486 ursos pardos, cerca de 20% da população deste animal no país nórdico.
O Governo de Robert Fico declarou também o estado de emergência na maior parte dos distritos eslovacos devido à presença “indesejável” de ursos.
O parlamento eslovaco já flexibilizou as regras de abate de ursos em maio de 2024, autorizando derrogações à proibição em vários distritos.
Em 2024, foram abatidos na Eslováquia 93 ursos, enquanto 36 morreram em acidentes de viação, segundo o diário eslovaco Dennik N.
O ministro do Ambiente, Tomas Taraba, insistiu que existem mais de 1.300 ursos na Eslováquia e que 800 é um “número suficiente”, uma vez que a população continua a crescer.
Mas os ambientalistas criticaram o Governo, afirmando que a decisão de hoje era contrária às obrigações internacionais e que o Ministério do Ambiente tinha conscientemente violado a lei.
Apelaram ao ministério para que, em vez disso, ensinasse as pessoas a manterem-se seguras na natureza.
“Em vez de soluções ineficazes, precisamos de intensificar a prevenção – educação, remoção de lixo, regulamentação da caça com isco ou informação ao público sobre viagens seguras na natureza”, afirmou a Fundação Aevis no Facebook.
Perante a sobrepopulação e o aumento dos incidentes, a Roménia, que tem 8.000 ursos, segundo estimativas governamentais – a maior população da Europa fora da Rússia – autorizou, no ano passado, o abate de quase 500 ursos, apesar das críticas dos ativistas dos direitos dos animais.
A Europa alberga cerca de 18.000 ursos pardos, principalmente nas montanhas.
Protegidos, estes grandes predadores figuram na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), uma organização internacional com sede na Suíça que visa reúne governos e sociedade civil em prol da proteção da natureza.