O Bloco de Esquerda (BE), numa visita a uma cooperativa de habitação a custos controlados, voltou a apontar o dedo às políticas de habitação na Madeira, considerando que faz todo o sentido militar e proibir que estrangeiros não residentes comprem casas na Região.
“Sabemos que o objetivo desta habitação é ser mais acessível para os madeirenses, mas a verdade é que isso não está a acontecer. Há várias denúncias e é possível até ver em sites de arrendamento que há habitações aqui que já foram compradas e muitas vezes até por estrangeiros que veem a habitação na Madeira como um negócio para fazer lucro”, denunciou Diogo Teixeira, 3.° candidato da lista do BE.
O candidato referiu casos específicos de habitações inseridas em cooperativas, onde apartamentos de tipologia T1 estão a ser alugados por valores entre os 1.000 e os 1.100 euros, enquanto os T2 chegam aos 1.300 euros. Para o BE, esta realidade é inaceitável, uma vez que contradiz o princípio de acessibilidade para a população local.
Diogo Teixeira defendeu que é essencial limitar e proibir a compra de imóveis por estrangeiros não residentes na Madeira. “Ouvimos também Miguel Albuquerque falar sobre ser contra a proibição ou a limitação da compra de casa por parte de estrangeiros, mas o Bloco acha que faz todo o sentido limitar e proibir que estrangeiros não residentes comprem casas na Madeira”, afirmou.
O BE justifica esta proposta com o crescente fenómeno da especulação imobiliária, que está a tornar a habitação num privilégio para quem tem maior capacidade financeira, deixando os madeirenses sem soluções viáveis. “Aquilo que se está a ver, tal como aqui e como em outros sítios, é que veem a Madeira e a habitação como uma oportunidade de negócio e como uma oportunidade de lucro”, apontou.
Diogo Teixeira não poupou críticas a Miguel Albuquerque, acusando-o de não conhecer a realidade da crise habitacional. “Não nos choca que Miguel Albuquerque seja contra a proibição de compra de casas a estrangeiros não residentes, porque ele fala sobre a habitação numa imobiliária. Ele não está na rua com as pessoas a saber qual é a verdadeira face da crise da habitação”, criticou, reforçando que o BE está em contacto direto com os madeirenses e que tem recebido inúmeras denúncias sobre despejos frequentes.
Para o Bloco, a crise habitacional na Madeira é “radical”, deixando muitas pessoas sem alternativas para morar. Por isso, a candidatura bloquista reafirma o compromisso em defender políticas que garantam a acessibilidade à habitação para quem vive e trabalha na Região. “Nós queremos que as pessoas, com o salário que recebem, consigam pagar a sua casa, consigam pagar a sua renda. E é impossível fazer isso enquanto tivermos a intervenção de pessoas que veem na habitação um negócio”, concluiu.
“E é preciso lembrar o Governo e o Presidente do Governo que se há um papel que eles devem ter e se há um papel para o qual eles foram eleitos é para defender os madeirenses e defender os interesses dos madeirenses. Infelizmente, isso não está a acontecer porque nós sabemos que estão comprometidos com o interesse privado e estão comprometidos em lucrar e muitas vezes os direitos dos madeirenses são completamente deixados de parte”, denuncia.
“Nós queremos que as pessoas com o salário que recebem consigam pagar a sua casa, consigam pagar a sua renda e é impossível fazer isso enquanto tivermos a intervenção de pessoas que veem na habitação um negócio”, remata.