Durante a II Guerra Mundial, as Democracias, para poupar os seus Militares e vendo a concepção comunista sobre a Vida Humana, deixaram aos Exércitos soviéticos, dando-lhes todo o material possível, sacrificar milhares de Soldados.
A estes coube não só rechaçar os nazis da Mãe-Rússia, como também o peso do avanço por toda a Europa Central até o interior da Alemanha.
Claro que, depois, isto custou ditaduras fascistas durante quatro décadas e meia, impostas a todos esses países pelos ocupantes comunistas imperialistas.
Não foi o Ocidente que libertou a Europa do comunismo.
Foi o próprio comunismo que colapsou, quer economicamente, quer pelo repúdio dos Povos que oprimia.
A Europa Ocidental, a viver burguesa sob o guarda-chuva norte-americano, beneficiou da evidência racional transmitida pelo colapso dos regimes comunistas na Europa Central e na própria União Soviética.
O Regime Político Ocidental das Liberdades, impôs-se como mais atrativo ao Ser da Pessoa Humana, comparado com o Regime Político totalitário e fascista da Europa Central e de Leste. Assim, foi-se reduzindo o entusiasmo patológico com o comunismo, numa reação democrática ainda mais reforçada pelo espectáculo primitivo dos comunistas no Portugal 1974-1976.
Até parte dos comunistas, ainda dentro do marxismo-leninismo, derivaram para “partidos de protesto” que, no interior dos respectivos países, passaram à violência armada.
Foi o suicídio final, pois a esmagadora maioria de cada uma dessas sociedades vivia cada vez melhor.
A Democracia da Europa Ocidental ainda se robusteceu, sempre no século XX e não neste, com a ousada criação e desenvolvimento da União Europeia.
Só que esta queda do comunismo em toda a Europa, bem como a generalizada melhoria das condições de vida, não foram bastantes para a Europa se tornar competitiva com o que hoje são os outros grandes blocos mundiais: Estados-Unidos, China, Japão/Pacífico, Rússia, Austrália/Nova Zelândia, Canadá e até os que despontam no sul do Hemisfério.
A Europa não se tornou competitiva, nem economicamente, nem ao âmbito técnico-científico, aqui a começar pelas suas Universidades, nem sequer – veja-se… – culturalmente.
Sempre acomodada sob o guarda-chuva norte-americano, a Europa virou costas a Valores intrínsecos à natureza da Pessoa Humana, trocando-Os por excentricidades anti-naturais, anti-Culturais e não científicas.
Deixou de conceber o Trabalho como instrumento de Dignificação da Pessoa Humana, desleixando, assim e, portanto, a Produtividade. Os seus frágeis Sistemas Parlamentaristas nem foram sequer capazes de acautelar a respectiva Segurança e Defesa. A prioridade foi posta no jogo do “quem dá mais” e na instalação da subsídio-dependência, com o objectivo de uma “caça ao voto” para manter o Sistema Político desta maneira estabelecido.
A Europa fugiu à Racionalidade.
Este enjeitar de Valores produziu a geração de “políticos” que temos neste século XXI, cujo deus é o dinheiro e na qual os “interesses” substituíram as Causas.
Razão da retomada do peso das “sociedades secretas”, principalmente a maçonaria. São cada vez mais a sede do Poder. E a Transparência Democrática – base para a Soberania do Povo – está assim cada vez mais destruída.
Eis a explicação de porquê, nos nossos Sistemas Políticos cada vez menos democráticos, crescerem os chamados “partidos de protesto”.
Como, no caso madeirense, o JPP e o “chega”.
Acrescem os seguintes factos concretos.
O óbvio falhanço universal do comunismo, do qual, na Madeira, PCP e “bloco” são os herdeiros falidos.
A degradação dos “Partidos do Sistema”, aliás “deles”, PSD, PS e CDS, ao ponto de termos um conservadorismo inerte e conformado aqui no Arquipélago (veja-se ao que sucedeu à luta por MAIS AUTONOMIA, à CRIATIVIDADE e à INOVAÇÃO).
E também o lirismo injusto, assustador, utópico dos neoliberais.
Óbvio que nos espaços vagos que passam a existir, dado o desencanto dos Cidadãos, surgem os tais JPP e “chega” que, flagrantemente, não têm quaisquer Quadros capazes de dirigir a Comunidade regional.
Para além do que dizem, em que “a bota não bate com a perdigota”, o disparate igualiza-os aos que eles afirmam combater. Não conseguem sair do facilitismo programático da subsídio-dependência que equivale a menos Liberdades dos dependentes e à eternizarão da pobreza.
Como o Leitor vê, o fenómeno não é só madeirense, nem só nacional.
É a mediocridade que o século XXI trouxe à Europa.
Ridículo é o acusar de “populismo” só estes “partidos de protesto”.
Porque “populismo” vem sendo a política de todos os partidos na Europa, principalmente na decadência das últimas três décadas: demagogia, conservadorismo, mediocridade e facilitismo caça-votos.
Como a cigarra na Fábula de La Fontaine, os Europeus ainda não perceberam, ou nem quererem perceber, no que estão metidos.
Não sabem o bastante de História para terem presente que aos fluxos de extrema-direita, seguem-se sempre refluxos de extrema-esquerda, e vice-versa, numa Dialética ameaçadora das Liberdades.
Emburguesados, consumistas e subsidiodependentes, os Europeus ainda não se deram conta do esforço ciclópico que terão de passar a desenvolver – e nunca já com os actuais Sistemas Políticos – para que as nossas Democracias possam sobreviver ante o que vem aí…